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Sábado , 01 de Outubro de 2005

Coluna Bate-Papo


Nas luzes da ribalta

Tem tanta coisa à volta da gente, que a gente não conhece, mas deveria. Mas que, por falta de tempo ou de oportunidade, a gente acaba perdendo a chance. Na Estação da Leopoldina, por exemplo, quanta gente jamais passou pelo lugar, tão bonito e histórico, inaugurado em 1926. Um cenário perfeito para a entrevista deste Bate-Papo, com uma pessoa que se dedica a jovens e adultos com Síndrome de Down. Ele os ajuda a romper barreiras e a criar novos mundos. É o trabalho de Rubens Emerick Gripp.

Edney Silvestre: Você veio fazer a entrevista, aqui na Estação da Leopoldina, com três pessoas. Quem são?

Rubens Emerick Gripp, psicólogo e voluntário: São meus amigos, atores: Paulo César, Lúcia Maria e Ari Cláudio. São atores especiais, portadores da Síndrome de Down, que fazem parte do “Grupo Teatro Novo”. Quando você começa a viver com essa turma, começa a perceber que eles não são muito diferentes de você, é só uma questão de adaptação. E aí você vai vendo que é tudo muito possível. É uma coisa apaixonante, porque as pessoas têm procurado a gente, para ficar perto, para acompanhar os ensaios. Temos muitos amigos voluntários, que passam um período conosco. Se você consegue conhecer o sentimento do outro, é muito fácil viver com ele.

Mas é preciso primeiro se abrir para o sentimento do outro...

E se abrir a partir de uma coisa boa, porque a imagem que muitas vezes é passada da pessoa com alguma deficiência intelectual é de que ela não consegue, porque ela é dependente. Mas ela tem desejos e esses desejos são verdadeiros.

Você está acostumado a sonhar. Nesse momento, quais são seus sonhos?

Meu sonho é mostrar esse trabalho a um número cada vez maior de pessoas, porque eu acho que as pessoas precisam ver. Eu tenho 15 anos de estrada, fazendo uma média de uma viagem mensal para outros estados. É muita coisa, acontece muita coisa. E meu grande sonho também é um dia ter um espaço de arte, com dança, teatro, música, porque temos muito pouca coisa em relação a isso. Se você pensa em uma pessoa com deficiência, a primeira coisa que vem à mente é tratamento, reabilitação. Temos que começar a colocar a questão da arte, porque a arte deixa a gente feliz.

O que você diria que você aprendeu com essas pessoas especiais?

Eu aprendi tanta coisa... Uma delas é que eu não sou tão inteligente como eu pensava. Tenho tantas limitações... Em segundo lugar, aprendi a ser paciente. Em terceiro lugar, aprendi a acreditar que a vida é uma questão de oportunidade. Se a gente proporciona isso a qualquer pessoa, independentemente da condição dela, ela vai te dar uma resposta. O que você vai fazer com essa resposta é o grande segredo. Todos nós somos muito diferentes, por mais que pensemos que não. A diferença faz parte, ela está aí e tem que ser vivida, ser aprendida. É um estado de paixão, de respeito, de amor. Foi o que aprendi.


 

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